Desconexo.

Este desvario ao qual me prendi ata-me a premissas antitéticas, a expectativas vazias, a remédios ineficazes. Travo laços com o impossível, ocupo-me com devaneios sobre o imponderável, conjecturo sobre o inalcançável, e concedo à realidade um infinitesimal instante de atenção, logo inundado pelo esquecimento. Paraliso diante do indecidível e, ao parar, desencontro-me de mim. Deixo-me engolir pela lacuna, deixo-me definir pelo paradoxo. Abandono-me para poder continuar comigo. E torno-me de mim inescapável, mesmo já me tendo perdido de mim. Procuro por mim, em mim, revolvo-me ao avesso por respostas e desisto, por constatar que me desconheço a tal ponto que não sou capaz de saber quando estou mentindo para mim. E este é agora o mais real dos pesadelos – o de precisar de mim, mas não poder mais confiar em mim. O silêncio que me habita propaga-se a preencher-me a vida, esvaziando-a de mim.

Protège-moi.

Ólafur Arnalds – …Og Lengra.mp3

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s